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Coronavírus: Direitos dos Idosos

Fonte: ONU

A sociedade tem o dever de exercer a solidariedade e proteger melhor as pessoas idosas que arcam com a maior parte da pandemia da COVID-19. O alerta é da perita independente das Nações Unidas para o direito das pessoas idosas, Rosa Kornfeld-Matte.

“Relatos de abandono de pessoas idosas em casas de repouso ou de corpos encontrados em asilos são alarmantes. Isto é inaceitável”, afirmou a especialista. “Todos temos a obrigação de exercer a solidariedade e proteger os idosos deste mal”.

As pessoas idosas não apenas têm um maior risco desproporcional de morte mas também são mais ameaçadas pela COVID-19 por conta de suas necessidades de cuidado ou por viver em ambientes de alto risco como estas instituições, alertou a perita.

Rosa Kornfeld-Matte demonstrou preocupação particular com pessoas idosas que têm doenças pré-existentes e aquelas que já são excluídas socialmente, vivendo na pobreza, tendo limitado acesso a serviços de saúde ou vivendo em espaços confinados, como prisões e casas de repouso.

“Esta exclusão social é exacerbada pelas medidas de distanciamento social, como impedir a entrada de visitantes nas casas de repouso. Distanciamento social não pode se tornar exclusão social”, afirmou Rosa.

“Distanciamento físico é crucial mas é preciso encontrar maneiras seguras e criativas de aumentar as conexões sociais. As pessoas idosas devem ter maneiras de estar em contato online, incluindo nas casas de repouso e nas áreas remotas”, ela afirmou.

A especialista independente notou que os idosos já estão enfrentando uma discriminação particular pela idade avançada e, por isso, precisam de proteção específica de direitos. Ela pontuou a necessidade urgente de uma abordagem holística de direitos humanos que garanta igual realização de todos os direitos, incluindo acesso a serviço de saúde.

“Estou profundamente preocupada que as decisões sobre realocar recursos médicos escassos, como ventiladores de unidades de terapia intensiva, sejam tomadas apenas com base na idade, negando aos idosos o direito à saúde e à vida numa base de igualdade de direitos”, afirmou Rosa.

A especialista pediu que protocolos de triagem sejam desenvolvidos e seguidos de maneira a garantir que estas decisões sejam tomadas com base nas necessidades médicas, a melhor evidência científica disponível e não com base num critério não-médico como idade ou deficiência.

“As pessoas idosas se tornaram altamente visíveis com o surto de COVID-19 mas suas vozes, opiniões e preocupações não têm sido ouvidas. Ao contrário, a enraizada discriminação com base na idade em nossas sociedades tem se tornado mais aparente. Temos visto linguagem desumanizada e cruel nas mídias sociais e com ênfase exclusiva na vulnerabilidade dos mais velhos, ignorando a autonomia deles”, afirmou a perita.

Rosa Kornfeld-Matte pediu que todas as partes envolvidas garantam o apoio essencial para que serviços domésticos nas comunidades possam continuar sem colocar as pessoas idosas e seus cuidadores em risco. “Comunidades e gerações devem estar juntos para atravessar esta crise em solidariedade”, concluiu.

Rosa Kornfeld-Matte (Chile) foi indicada em 2014 como a primeira perita independente das Nações Unidas para o direito das pessoas idosas.