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Assédio Moral: Como lidar

Fonte: USP

Artigo publicado na revista Saúde, Ética e Justiça elucida o que é assédio moral e mostra como essa questão vem sendo tratada nos meios acadêmicos, sindicais e governamentais, além de trazer propostas para lidar com o problema. O texto é baseado em pesquisa de Mariana Silva Evangelista e Carla Júlia Segre Faiman. Visando a estudar a questão nos meios acadêmicos, elas realizaram uma revisão bibliográfica em que se consultou 28 artigos sobre o tema, publicados entre 2009 e 2013. Os resultados apontaram para a conscientização e prevenção do assédio, também conhecido como bullying, com a presença de grupos de apoio às vítimas e aplicação de “regulamentos ou códigos de ética e conduta que coíbam comportamentos abusivos nas organizações”.  As autoras mostram ainda que os documentos, cartilhas e panfletos gerados por sindicatos e órgãos públicos têm procurado informar bem a população sobre a questão, cada vez mais levantada com as novas formas de organização do trabalho.

O que desencadeia o assédio moral? Há muitas respostas para a pergunta, já que as causas são de natureza variada: social, econômica e cultural, passando pelas organizações e seus novos modos de organizar e gerir o trabalho.

Para as autoras, constitui-se em assédio “toda conduta abusiva que se manifesta por comportamentos, palavras, atos, gestos e escritos que podem atingir a personalidade, a dignidade ou a integridade física ou psíquica de uma pessoa, colocar em perigo o trabalho desta pessoa ou degradar o clima de trabalho”, devido à sua repetição constante, afetando psicologicamente aquele que é o alvo. O assédio também pode ser causado por competitividade, acúmulo de atribuições, pressão e cobrança, e manifestar-se por meio de difamação, fofocas, xingamentos, ridicularização de crenças religiosas, ideologias políticas, defeitos físicos, violência verbal, física e sexual.

Quanto ao setor público, tanto a análise dos artigos científicos quanto das cartilhas e panfletos sindicais e governamentais mostra o que mais desencadeia o assédio moral: as condições inadequadas de trabalho, enxugamento de pessoal, programas de demissão voluntária, imposição do chefe nas férias, horários, licenças dos funcionários, insinuações e gestos de desprezo ou atitudes, de superiores ou colegas, que ferem a dignidade, gerando constrangimentos e humilhação. E tudo isso pode deflagrar o suicídio, uma das consequências extremas do bullying.