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Guerra Fiscal: Nova Decisão do STF

O Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, concedeu pedido de liminar
feito pelo governador do estado do Amazonas, Eduardo Braga, na Ação Direta de
Inconstitucionalidade (ADI) 3936.

Nela, são contestados dispositivos de norma paranaense que, conforme o
governador, acirram a guerra fiscal entre os estados e criam vantagens tributárias
(ICMS) inconstitucionais para produtos da indústria de processamento eletrônico de
dados do Paraná em detrimento dos similares fabricados na Zona Franca de Manaus.Com a
decisão, ficam suspensos o artigo 2º da Lei paranense 10.689/93 e incisos do artigo 50
do Regulamento do ICMS (RICMS) do estado do Paraná (Decreto Estadual nº 5.141/2001),
acrescentados pelo Decreto estadual nº 986/07.

O requerente afirma que o estabelecimento de alíquotas diferenciadas em
razão do local da industrialização dos produtos e das características do contribuinte
viola o artigo 152 da Constituição Federal. Este dispositivo dispõe que é vedado aos
estados, ao Distrito Federal e aos municípios estabelecer diferença tributária entre
bens e serviços de qualquer natureza em razão de sua procedência ou destino.

De acordo com o governador do Amazonas a legislação paranaense é uma
contra-ofensiva a benefícios tributários concedidos pelo governo de São Paulo.

Recorda que, em dezembro passado, o governo paulista mudou a resolução
que tributava os produtos de informática, automação e telecomunicações com 12% de ICMS
nas operações internas.Como conseqüência, monitores de vídeo fabricados na Zona Franca
de Manaus sob o regime da Lei nº 8.387 (dispõe sobre a Zona Franca de Manaus) sofreram
tributação de 18% nas operações internas em São Paulo.

Ressalta, ainda, que os produtos fabricados em São Paulo ou em outras
localidades do território nacional ao abrigo da Lei federal 8.248/91 (dispõe sobre a
capacitação e competitividade do setor de informática e automação e dá outras
providências) são tributados, nas mesmas operações internas, pela alíquota de 7%.Além
disso, a lei paulista faculta ao contribuinte, para compensação, em substituição ao
crédito do ICMS cobrado nas operações anteriores, relativamente às mercadorias
entradas, real ou simbolicamente, em seu estabelecimento, valer-se de importância
resultante da aplicação de percentagem fixa.

Como o crédito foi fixado também em 7%, equivalente à aplicação de 7% do
tributo, o fabricante paulista de produtos de processamento eletrônico foi beneficiado
com a ausência de débito final de ICMS.

No mesmo sentido, o governo paulista introduziu em favor dos fabricantes
de produtos de informática, entre os quais monitores de vídeos e telefones celulares,
um crédito fiscal-financeiro de 4,5% sobre o valor da operação da saída, em relação às
operações de exportação para exterior, sobre as quais não incide ICMS.

Essa legislação levou indústrias instaladas na Zona Franca de Manaus a se
prepararem para migrar para São Paulo ou, pelo menos, a distribuir a produção entre os
dois Estados, segundo alega o governo amazonense.

Presente ao julgamento da ação, o governador do estado do Amazonas,
Eduardo Braga, afirmou que a ADI 3936 pretende que o Supremo possa dirimir uma questão
tributária "que desequilibra o pacto federativo entre dois estados ricos e um
pobre, como o estado do Amazonas, no que diz respeito à geração de emprego e renda para
os trabalhadores".

Segundo ele, os amazonenses já foram vítimas de 17 mil vagas a menos na
indústria de eletroeletrônicos, fruto de ações de guerra fiscal como esta e outras que
o estado de São Paulo tem adotado contra o Amazonas e deverão ser julgadas nos próximos
dias.

"O Supremo representa essa casa de esperança para os estados mais
pobres, para os estados que dependem dessa decisão para poder reequilibrar o pacto
federativo", declarou o governador no intervalo da sessão plenária.

"Parecem-me bastante plausíveis as alegações do requerente de que o
estado do Paraná, diante da reedição – pelo estado de São Paulo – das normas impugnadas
tenha se valido do Decreto estadual 986 para, em contra-ponto à legislação fiscal
paulista, criar seus próprios benefícios e incentivos fiscais", disse o relator da
matéria, ministro Gilmar Mendes.

Segundo ele, o caso em questão ainda é peculiar, pois é possível perceber
que a atitude do estado do Paraná em relação à legislação do estado de São Paulo,
estaria legitimada pelo artigo 2º da Lei estadual 10.689.

O ministro afirmou que esse dispositivo da lei estadual "traduz, em
verdade, uma permissão legal para que o estado do Paraná, por meio do seu Poder
Executivo, se defenda da guerra fiscal, repelida amplamente pela jurisprudência do
Supremo".

Gilmar Mendes entendeu que está configurada, nesse juízo liminar, a
possível afronta ao que prescreve o artigo 155, parágrafo 2º, inciso XII, alínea
"g", da Constituição Federal. Ressalta também violação ao artigo 155,
parágrafo 2º, incisos IV, V e VI da Constituição.

"Esta ação direta de inconstitucionalidade, como se viu, inaugura
uma nova série no contexto dessa chamada guerra fiscal que está a reclamar uma solução
no plano legislativo constitucional", salientou o relator.Assim, o ministro Gilmar
Mendes deferiu a medida cautelar no sentido de suspender a vigência das normas contidas
no artigo 2º da Lei 10.689/93 e nos incisos XXXII e XXXIII e parágrafos 36, 37 e 38 do
artigo 50 do Regulamento do ICMS do estado do Paraná, acrescentados pelo Decreto
estadual 986/07, sendo acompanhado pelos demais ministros da Corte.